Hoje preciso partilhar uma experiência que vivi no último dia de 2011. Se tiver um tempinho e uma dose de paciência (vou logo avisando que o texto é um pouco longo) seria importante pra mim dividi-la com você.
Eu estava me arrumando pra virada, pensando em coisas que imagino que todo mundo pense nas últimas horas do ano: o que foi bom, o que não foi, o que mudar, decepções, alegrias, expectativas, pessoas que marcaram, sonhos, etc...
Bem... Enquanto me envolvia nesses pensamentos e me enrolava entre maquiagens, roupa, penteado e “como vou começar o ano bem”, dei de cara com a foto de uma menina desconhecida com alguns dizeres impressos. Digo “dei de cara” porque acabamos de passar por uma obra aqui em casa, e volta e meia descubro uma coisa no meu quarto que não costumava estar ali antes.
Curiosa como sou (quem me conhece sabe, né) tratei de ler o que estava escrito naquela foto.Aquelas palavras, que poderiam ser encontradas em qualquer livro de auto ajuda, palestras religiosas ou postagens do facebook me rasgaram por dentro. O que se passou depois foi uma mistura de culpa, medo e esperança, com uma boa dose de tristeza.
Culpa por tantas vezes ter reclamado sem necessidade, por ter chorado por coisas e pessoas que não faziam a mínima diferença, por ter gasto tempo e energia com situações que não valiam a pena. Medo, de não saber fazer diferente, de não conseguir mudar, de ficar imobilizada pelas frustrações. E esperança... Muita esperança: de um ano diferente, de atitudes diferentes, de novas realizações, de sentimentos intensos e pessoas comprometidas com o afeto e o carinho. Esperança de mais amor em mim e nos outros.
A parte da tristeza eu explico agora...
Depois de ler o texto, reparei que embaixo, em letras menores, estavam impressas umas datas. Demorei pra entender o que eram porque ainda estava capturada pelas palavras daquela menina com um sorriso tão iluminado. As datas eram do nascimento e da morte dela. Ao fazer as contas, percebi se tratar de uma menina de 18 anos. Uma menina... Meu Deus, uma menina, uma menina... E era só isso que eu conseguia repetir, como se tentasse me convencer daquilo tudo.
Chocada, procurei minha boadrasta pra saber de quem se tratava. Ela me disse que era filha de um amigo dela e do meu pai. A família estava em um passeio de carro quando o acidente aconteceu. O pai , a mãe e a irmã sofreram lesões leves. Ela morreu na hora.
Depois do relato, conversamos sobre todas as dores que acompanham a morte de alguém tão jovem: a culpa, o sofrimento, a saudade- sentimentos que aquela família tinha experimentado e que certamente ainda experimentava, apesar de 4 anos já terem passado. Minha boadrasta e eu ficamos ali, na cozinha, imersas cada uma nas suas impressões, sensações e pensamentos sobre tudo aquilo.
Saí e fui pro quarto. Precisava ficar só.
Naquele instante, trancada no meu quarto e sem conseguir tirar os olhos daquele sorriso, agradeci a Deus. Por tudo. Pelas dores, fracassos, alegrias e esperanças... Pela família que tanto amo, pelos amigos que conquistei e que me conquistaram, pelo amor vivido... Tudo, tudo estava presente no meu papo com Papai do Céu. Cada detalhe de mim que agora eu podia enxergar em letras garrafais nas palavras daquela menina. Aquele texto tinha sido um soco no meu estômago. Um soco necessário, desses que a gente precisa levar pra aprender a respeitar a vida!
E então eu chorei... Muito! Um choro que me lavou por dentro e que irrigou a sementinha da esperança de um ano intenso, verdadeiro... De um ano que seja meu! Que seja nosso!
Acho que não tenho mais nada pra falar... Vou deixar que o texto da Nathália fale por si.
Pra esse lindo anjo eu deixo meu mais sincero agradecimento: pela sua fé na vida e nas pessoas e por ter me transformado sem eu nunca tê-la conhecido!
E que as palavras dela sejam um soco no seu estômago tanto quanto foram no meu!
Acho que é isso que eu desejo pro seu ano: mais porradas como essa que nos esfreguem na cara que a vida sempre vale a pena!!!!!
“Aproveitar enquanto há tempo
Muitas pessoas não dão valor à vida. Adiam as coisas sempre. Não percebem que a vida é curta e passageira. Deixam tudo pra fazer amanhã. Mas afinal, existe amanhã? Como saberemos que no dia seguinte estaremos vivos?
Devemos aproveitar a vida, vivê-la bem, correndo atrás dos sonhos, não nos arrependendo do que fizemos ou deixamos de fazer. Temos que viver conscientemente, em busca da felicidade, construindo a paz.
Na vida, tudo é passageiro. Os momentos passam, as pessoas se vão, e a lembrança fica. Devemos amar as pessoas ao máximo, aproveitar cada pequeno momento, pois é único, e pode ser o último. Pessoas se vão, momentos passam, mas nós ficamos. E temos que ter forças para seguir nessa caminhada, ultrapassar obstáculos e levantar, com mais vontade de seguir, a cada tropeçar, como Jesus fez ao carregar a cruz. Afinal, estamos à prova o tempo todo.
Ninguém veio a este mundo por brincadeira. Cada um tem sua missão. A vida não é fácil, devemos sempre estar aprendendo, com mínimas coisas, com nossos erros, para que consigamos acertar. Temos que viver a vida bem, aproveitando-a para que ao chegarmos ao fim, termos ao menos a certeza de valeu a pena vivê-la”.
Nathália de Souza Barreto

Olá Luciana!
ResponderExcluirSei que não nos conhecemos, me chamo Maria Ignez C S Barreto e moro em Brasília.Ontem recebi de uma muito amiga da minha filha Nathália, uma msg no facebook dizendo que, por curiosidade, ela foi pesquisar no google pelo nome dela, num momento de muitas saudades, e se surpreendeu com uma postagem do seu blog "Entre fatos e afetos", que foi feita em janeiro de 2012. Sim, eu sou a mãe da Nathália de Souza Barreto, que faleceu no dia 22 de janeiro de 2008, quando sofremos um acidente de carro, indo para a praia de Guaibim/BA(a poucos km da chegada). Queria te parabenizar pelo texto, e dizer que a minha família toda está muito gratificada a você e, lhe asseguro que, minha filha, lá no Ceú, deve ter ficado muito feliz também! É impressionante Luciana, que todas as pessoas que lêem seu texto, ficam muito "tocadas" com o que você escreveu, apesar de termos tomado conhecimento só agora, mais de 1 ano depois de escrito. Podem se passar vários anos, mas a emoção em falar dela vai ser sempre a mesma! Deus sabe...!!!! Saber que a Nathália, filha/irmã/neta/sobrinha/prima e amiga, mesmo após sua morte, continua iluminando a vida das pessoas, até desconhecidas, nos dá a plena certeza de que tudo que aconteceu, por mais difícil que seja, não foi em vão, e que ter tido ela em nossas vidas, e ainda tê-la, pois ela é sempre muito presente, é uma Graça imensa de Deus! Muito obrigada pelo seu testemunho, Luciana! Digo a você que não só essa msg, escrita por ela aos 12 anos(no ensino fundamental), mas também vários escritos que ela deixou, os quais encontramos em casa depois de sua partida, têm provocado em muitas pessoas, uma reflexão reconstrutiva de vida. Muitos dos que receberam essa msg, dada como lembrança da missa de 30º dia dela, disseram que iriam levá-la para apresentação em catequeses aos jovens. Portanto, você pode perceber, que realmente todos temos uma missão aqui, como dito pela Nath na msg... Luciana, gostaria de saber quem é seu pai e sua boadrasta, já que você fala que eles conhecem meu marido(Roberto Barros Barreto), e portanto ficamos curiosos. Bom, é isso...! Fique com Deus, e dê as seus pais o nosso abraço!